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3/01/2005
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3/01/2005 10:37:00 AM |
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O Brasil não merece o Brasil - parte II
Um amigo esteve recentemente em Belém do Pará. Jornalista, aproveitou a coletiva que o ministro da agricultura fez por lá para conversar com repórteres que estão acompanhando o caso da missionária. Apurou informações chocantes e foi confirmá-las com a população local, que apesar de dizerem ter "canela fina" (no linguajar carioca seria "quem tem c* tem medo") só ratificaram o que se escutava nas redondezas. Os fazendeiros envolvidos são laranjas, meros joguetes dos verdadeiros donos da terra e mandantes do crime: ilustres cavalheiros que circulam pela câmara dos deputados, envolvidos até a raiz dos cabelos com o esquema ilegal de extração de madeira e lavagem de dinheiro.
Nem é preciso dar nome aos bois, eles já foram marcados nas manchetes dos jornais, em junho de 2001. Eloisio Viana de Oliveira, administrador de uma fazenda do Pará declarou: "Eu quero provar na Justiça que toda a extração de madeira não passa de uma grande lavagem de dinheiro que vem do (então) senador Jader Barbalho". Óbvio que não deu em nada. E o resultado está aí, missionária executada..."é a leeeeei do oeste".
A certeza de impunidade é tanta que o homem até zomba de todos nós: "Eu também fui apanhado de manhã cedo, como Jesus foi apanhado. Disseram a Pilatos que Jesus era um malfeitor, e portanto, um bandido. Naquela época eles não tinham algemas e fizeram uma coroa de espinhos e a enterraram na cabeça de Jesus e o crucificaram como malfeitor. Imagine comigo que sou um pobre pecador."
Uma pintura, não é não?
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3/01/2005 10:13:00 AM |
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O Brasil não merece o Brasil - Parte I
A execução de um vigia de um supermercado no Ceará feita pelo juiz de Direito Pedro Pecy Barbosa de Araújo (sic) me assusta mais do que o assassinato da missionária no Pará. Esse sim deveria ser classificado como crime hediondo, uma vez que foi executado por aquele que seria o representante máximo da justiça no país.
Confirma-se com isso que no Brasil ainda vale a lei do oeste, os donos da terra fazendo "justiça" com as próprias mãos. No melhor estilo "você sabe com quem está falando", o excelentissimo juiz Pedro Pecy Barbosa exigiu que o supermercado abrisse suas portas mesmo após encerrado o expediente, ameaçando mandar prender os funcionários caso não acatassem suas ordens. Completo desrespeito à cidadania e à igualdade de direitos, valores que teoricamente o juiz deveria buscar promover!
Apesar de tudo estar registrado no circuito interno de TV, o juiz esconde-se tranquilamente para fugir do flagrante e seus "colegas" ainda decidem se vão pedir ou não a prisão preventiva do criminoso. Na matéria do jornal ainda vem escrito "Se for condenado, poderá perder o cargo de juiz e ser condenado de 6 a 30 anos de prisão." Pequena análise de discurso: "SE for condenado" indica que também pode sair livre dessa. Talvez não escancaradamente, mas pegando a pena mais branda, sem antecedentes, etc etc acaba ficando livre em pouco tempo. Nada mal, hein?
Vale recordar o caso do juiz Antônio Marreiros da Silva Melo Neto, da 6 Vara Cível de São Gonçalo, que deu entrada em um processo por danos morais no dia 10 de setembro por exigir que os funcionários de seu prédio o tratassem por "senhor" ou "doutor", e ainda fez com que fosse proibido à sindica comentar o fato na mídia, enquanto ele podia dar sua versão dos fatos.
Como venho argumentando, ainda vivemos nos tempos do Brasil-colônia. Os "vice-reis e governadores" continuam inventando suas próprias leis.
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