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11/29/2004
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11/29/2004 06:46:00 PM |
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Nossa língua, nossa casa, nossa pátria
O Blogger está sendo traduzido para o português.
Antigamente eu instalava todos os programas em inglês. Hoje em dia me revolta quando não posso instalar a versão em português. Tive filhos e comecei a perceber que era uma idiotice esse negócio de enfiar pela goela abaixo deles uma língua que não é a sua, ainda mais quando isso não é só uma questão de ser poliglota, e sim uma forma sutil dominação cultural.
Ao invés disso tenho levado meus filhos para assistir rodas de choro, explicando a história de cada música, dos compositores, mostrando os antigos e os atuais. Ontem, após uma apresentação do Sexteto Maurício Carrilho, em Pendotiba, meu filho fez questão de ir falar com os músicos, coisa que está acostumado a fazer ao final das peças infantis que assiste. Fiquei impressionado quando ele, conversando com o próprio Maurício, citou a música "De pai pra filho", composta pelo Álvaro Carrilho, pai do Maurício e a "Namoi, vem pro Rio", composta pelo próprio Maurício para a flautista japonesa que se aventurou no universo do Choro.
E esta já foi a segunda que ele "apronta"; a outra foi na escola, quando o professor de música pediu que ele escolhesse uma música e ele "pediu qualquer uma do Jacob do Bandolim". O professor ficou numa sinuca de bico.
Se ao invés de enfiarmos pelos ouvidos de nossos filhos, desde cedo as músicas da novela (leia-se, o que é imposto pelas gravadoras multinacionais) oferecermos músicas genuinamente brasileiras, o resultado será, com certeza, surpreendente. Isso porque nosso universo é extremamente rico e lúdico. Basta ver as músicas de Pixinguinha, que sempre tem uma história interessante por trás. Pra citar duas: Proezas de Solón, composta para o dentista do Pixinguinha; O Gato e o Canário, que ao ser ouvida praticamente desenha uma verdadeira brincadeira de gato e rato (no caso um canário) musical.
Vamos valorizar o que é nosso, pro bem das nossas crianças. Elas agradecem.
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