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6/30/2004
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6/30/2004 11:47:00 AM |
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Discos Marcus Pereira, uma gravadora que foi uma alegoria do Brasil
Reproduzo aqui trechos do texto escrito por Paulo Eduardo Neves para o "Agenda do Samba & Choro", que merece ser lido na íntegra:
A história da Discos Marcus Pereira mistura variadas doses de paixão, dificuldades finaceiras e políticas, amizade, descaso e muito idealismo, tudo ao som da melhor trilha sonora que este país já produziu. Sua história é tão brasileira, mas tão brasileira, que mais parece uma alegoria sobre nosso país.
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Se você for fazer uma listagem sobre os melhores discos brasileiros de todos os tempos, a Marcus Pereira marcará presença com um número impressionante para uma pequena gravadora. Não faltarão na lista os dois primeiros do Cartola, o "Na Quadrada das Águas Perdidas" de Elomar, a Orquestra Armorial dirigida pelo Maestro Guerra Peixe, o "Violão Brasileiro Tocado pelo Avesso" de Canhoto da Paraíba e muitos outros.
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Só que os negócios eram dureza. Alegando que seu trabalho estava voltado para a pesquisa, Marcus conseguiu um financiamento da FINEP que bancou boa parte de seus discos, como o resto da coleção que mapeou a música do Brasil e os de Cartola e Donga. Chegou a hora de pagar os juros. A dificuldade de distribuição (sempre ela!) o sujeitou a um contrato leonino com a gravadora Copacabana. Marcus conseguia tirar leite de pedra para manter seu sonho. Em fevereiro de 1982, após a grave recessão de 79, a gravadora enfrentava sérias dificuldades financeiras. Suas dívidas acumulavam. A gravadora que levava seu nome estava indo à falência. Neste momento difícil que passava o trabalho e sonho de uma vida, problemas pessoais agravara a situação. Marcus Pereira então se suicidou.
Você conseguiria imaginar uma história mais brasileira do que esta?
Só nesse país mesmo, o cara que lança o primeiro disco do Cartola acaba se matando.
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6/23/2004 08:50:00 AM |
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Chorando o Brasil
Nessa recente (e tímida) incursão que faço atualmente no mundo do choro consegui confirmar o que já falava sem muita base: o choro é uma das mais sofisticadas riquezas da nossa música. Sofisticada pela sua beleza, pela variedade de ritmos que recebem a alcunha de choro, dentre maxixes, schottish, polcas, sambas...pela imensa variedade de temas, tão distintos um do outro, mas todos mantendo a mesma linguagem brasileiríssima. As origens do gênero, seu desenvolvimento, as histórias (a inserção da sétima corda no violão é um exemplo clássico), seus compositores e músicos (Ernesto, Jacob, Dino...nossa, são tantos) tornam o universo do choro mais interessante e tipicamente brasileiro.
Brasileiro também por ser um guerreiro, um sobrevivente. O choro, assim como outros gêneros tipicamente brasileiros, vem resistindo bravamente ao descaso das gravadoras, à invasão de músicas estrangeiras, a ignorância da população pela dificuldade a seu acesso. Na minha opinião (e onde mais eu teria espaço para emití-la livremente, se não aqui), de todos os gêneros musicais, é o que apresenta maior sofisticação nas suas composições.
Vejo agora uma redescoberta do choro. A iniciativa do Instituto Jacob do Bandolim em promover oficinas de choro, o projeto O Choro na Rua, da secretaria de cultura de Niterói, a grande quantidade de regionais...hoje é possível ouvir choro todos os dias da semana em casas diferentes do Rio de Janeiro. Ganhou espaço na internet, com destaque para o site A Agenda do Samba & Choro, onde rola um troca-troca de partituras fantástico. O Japão, sempre o Japão, também descobriu o choro. Músicos brasileiros fazem shows e shows na terra nipônica, músicos japoneses se especializam no gênero. Até no Jornal Nacional já vemos matérias falando de Jacob do Bandolim.
Bom, não pretendo defender tese nenhuma...era só pra falar que acho chorinho uma parada muito foda. Pela sua beleza e por ser brasileiríssimo.
Vamos chorar.
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