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8/30/2002 02:37:00 PM |
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Obsolescência descarada
Meu PC estava ficando cada vez mais lento, dando pane praticamente todas as vezes em que estava em operação. Resolvi colocar um pouquinho mais de memória no bichinho, já que estava parecendo mais a minha bisavó tentando chamar os netos pelos nomes corretos. Pois bem, abri o bichinho...depois de retirar o equivalente ao meu peso em poeira, despluguei uns 40 fios e desatarrachei um dos dois pentes de memória. Exuberantes 16MB de um total de 32MB, para os fracos em matemática. De quebra descobri que a ventoinha (ou "cooler", como gostam de dizer os vendedores, numa tentativa de se auto-elevarem a um patamar melhor da cadeia econômica) estava escangalhada. Minha intuição me fez crêr que na verdade esse seria o principal motivo para tantos problemas...
Pois bem, de posse do pente de memória, fui em busca de um primo seu aditivado...tinha esperança de comprar algo em torno de 128MB. Qual não foi minha infeliz surpresa ao apresentar a peça ao vendedor:
- Xi, essa daí é muito difícil de achar...é DIM não é? E se achar vai ser muito cara. Acho que só em algum cemitério de computadores, ou de pessoas que estejam se desfazendo dos seus antigos
Fui em outra loja e a história se repetiu, sendo que o modelo de memória chutado pelo vendedor já tinha outro nome. Ou seja, por ter um computador "velho" de 5 anos atrás, estou condenado a não poder melhorá-lo. A obsolescência programada da indústria de informática é imoral, indecente. Em 5 anos já não se fabricam mais os mesmos acessórios ou componentes para um computador que foi comprado 0km, o que nos obriga a comprar um computador novo se quisermos nos comunicar com o resto do mundo. Nessa brincadeira, de 5 em 5 anos, jogue R$3000 no ralo. Os computadores envelhecem mais rápido do que os cachorros.
Não sei se procuro o tal cemitério para comprar as peças que faltam aqui ou se para deixar o meu computador lá. Mas pelo menos comprei a ventoinha.
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8/20/2002
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8/20/2002 02:51:00 AM |
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O ódio move o mundo?
"Os animais lutam, mas não fazem guerra. O homem é o único primata que planeja o extermínio dentro de sua própria espécie e o executa entusiasticamente e em grandes dimensões. A guerra é uma das invenções mais importantes; a capacidade de estabelecer acordos de paz é provavelmente uma conquista posterior. As mais antigas tradições da humanidade, seus mitos e lendas heróicas, falam sobretudo da morte e do ato de matar. A luta travada em maior proiximidade física não se devia apenas à simplicidade da técnica de construção de armas. Tratava-se também da maior satisfação psíquica obtida em extravasar o ódio naqueles que se conhecem, nos vizinhos."
Assim o poeta e ensaísta Hans Magnus Enzensberger inicia "Visões da Guerra Civil", do livro "Guerra Civil". A relação traçada entre as diferentes guerras em curso que na verdade são uma única e o cotidiano das cidades, com suas "guerras-civis moleculares" nunca pareceu tão atual. É de arrepiar reler este livro, datado de 1990, a luz dos fatos recentes do Rio de Janeiro, da guerra do tráfico, da guerra do ser-humano, e ver como o autor estava antenado com a decadência da sociedade. Lembro de ter assistido a um debate com o autor na PUC, (onde ele assinou meu exemplar) e muito do que foi falado não fazia muito sentido pra mim.
Estarrecedor.
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8/15/2002 12:59:00 PM |
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Do Lar - histórias de um desempregado
Capítulo II
Completei um projeto que tinha pendente desde que nos mudamos para este apartamento: fiz o jardinzinho da sacada aqui do meu quarto. Desde que viemos olheir pra sacada e fiquei amarradão de fazer um jardim ali, pois já tinha tudo pronto...espaço e terra. Mas, como a maioria dos seres humanos normais, sou dotado de preguiça, e convenhamos, chegando tarde em casa não rolava de fazer jardim as 23h. Durante o final-de-semana acabava curtindo a família e o jardim ficava pra depois.
Com o advento da copa e a vitória da seleção, a situação piorou. O que era somente um canteiro de terra morta virou um canteiro de entulho. Papel picado, jornal velho, serpentina, tudo enroscado nos galhos mortos das plantas que insistiam em permanecer no meu agreste particular.
Pois bem, um dia, antes de iniciar a labuta, estava arrumando a casa(...)
---:: aqui vale um parêntese ::---
Como também quase todo brasileiro classe média, a nossa "assistente" (como alguns pelas chamam as domésticas) só trabalha 3 vezes na semana. No nosso caso em particular 2, mas isso é outra história. O esquema Home Office exige o que todo escritório exige: um mínimo de limpeza e organização. Como todo escritório, antes de todo mundo as faxineiras chegam e limpam a bagunça do dia anterior. No caso do HomeOffice, e em especial do meu que conto com a "secretária" (outra designação babaca inventada por dondocas pseudo-sociólogas que não vivem sem a plástica do final do ano) somente 2 vezes na semana, eu é que tenho que limpar o "escritório" antes de pegar no batente. Então chego com minha vassourinha e faço a limpa, arrumo as camas, guardo os brinquedos do Felipe que SEMPRE estão espalhados pelos quatro cantos da casa. Isso é o mínimo pra que eu consiga sentar ao computador e conseguir trabalhar tranquilamente.
---:: pronto, voltando ao texto principal ::---
(...)quando olhei pra sacada e fiquei puto com aquela imundice. Acho que a Graça (nossa "ajudante") nunca nem olhou praquela varanda, ou então achou que isso era serviço pra faxineira (desde que inventaram essa divisão no ramo das domésticas a vida dos empregadores virou um inferno...pra vc ver, algumas faxineiras acham que a cozinha não é de responsabilidade delas, e sim da empregada oficial). Pois bem, resolvi tirar TODO o entulho da sacada e preparar o terreno para o bendito jardim que tanto adiei. Afinal de contas, tempo ainda é o que mais tenho disponível, inversamente proporcional ao que tenho de fundos no banco.
Consegui retirar quatro sacolas de supermercado de entulho, entre galhos velhos, serpentina, papel, pedras e até caramujos nojentos. O terreno estava pronto. Precisava comprar terra decente pra juntar com essa quase fossilizada que estava aqui e plantar alguma coisa. Fui na floricultura aqui ao lado (que descobri ser uma casa de apostas do jogo do bicho, logo atrás do biombo) que não tinha terra nenhuma. Quase fiz uma fezinha no burro, mas resolvi não arriscar.
Ontem saí em busca da terra de minhoca (humus...procurem no dicionario) e comprei logo 3 sacos de 5Kg, além de 30 mudas de diversas plantas. E, como todo homem que se preza, comprei uma pá, minha primeir ferramenta de jardinagem. Acho que esse apego a ferramentas que é característico dos seres do sexo masculino tem a ver com sua fisiologia..sei la..já nascermos com uma ferramenta multi-funcional. Anyway...voltando ao jardim, depois de duas horas, já estava uma maravilha. Intercalei as diferentes mudas dando um ritmo à composição que faria inveja ao próprio Burle Max. Maju, que não tinha reparado no saco de lixo cheio de galhos e entulhos na cozinha no dia anterior, ficou emocionada com a surpresa...ficou até uns segundos meio que sem entender como é que a sacada tinha se transformado. Obviamente a hipótese de eu ter feito tudo sozinho foi a última a ser cogitada, mas faz parte Já marquei com o Felipe de sábado irmos escolher as mudas para o jardinzinho dele, o qual faremos juntos.
Infelizmente, como nem tudo é perfeito, durante a implementação do projeto, quebrei um vidrinho da janela, que faz o arremate do ar-condicionado...mas isso é enredo para a próxima história.
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8/09/2002
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8/09/2002 12:23:00 PM |
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Let's Blog Chalk!!
Google! DayPop! This is my blogchalk: Portuguese, Brazil, Niterói, Icaraí, Bruno, Male, 26-30!
Bruno Pinheiro, Design, Designer, WebDesign, Graphic Design, Pin, Brops, Braun, Criação, Design Gráfico, Desenho Industrial, ESDI, EXDI, blogchalk, Portuguese, Brazil, Niterói, Icaraí, Bruno, Male, 26-30
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8/09/2002 12:00:00 PM |
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Frank Miller preguiçoso
Esclarecendo meu brother, o Cavaleiro das Trevas nº3 não saiu porque o puto do Frank Miller resolveu dar um tempo, cagando baldes para os idiotas leitores de sua péssima continuação do Cavaleiro das Trevas. Dizem as más línguas e o jornaleiro aqui da esquina que o nº3 já está pra chegar, mas pra mim isso é lenda. Não se sintam ofendidos, eu faço parte da horda (estou usando muito este adjetivo, repararam?) que está aguardando ansiosamente (pra não dizer puto da vida) pela conclusão da segunda série da saga.
Cavaleiro das trevas (a primeira série, não essa segunda, colorizada por uma daltonica em um surto psicótico) foi um divisor de águas na história do Batman. Na verdade, parece que foi o Frank Miller quem criou o verdadeiro Batman. É meio como se descobrisse uma daquelas top models brasileiras no meio da favela, saca? O pai e a mãe fizeram e criaram a garota, coisa e tal, mas se o descobridor de talentos não tivesse o faro e o timing, a menina ia terminar a vida dela como doméstica na casa de alguma dondoca.
Pra mim o Frank Miller descobriu o Batman estendendo as cuecas do Robin no varal.
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8/07/2002 04:21:00 PM |
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Do Lar - Capítulo I
Depois do filme "Domésticas" (ainda não vi, mas isso é questão de tempo), lanço com esse post a série Do Lar - histórias de um desempregado. Como as mulheres que não trabalham costumam dizer que tem a profissão "do lar", vou me unir a estas companheiras de classe e adotar o jargão.
Uma coisa que descobri com essa história de Home Office (sic) é que o tempo de trabalho gerador de renda diminui sensivelmente quando se está em casa. Sim, porque quando você está em um escritório, longe de casa, dificilmente alguém vai chegar pra você e falar:
- Seu Bruno, acabou o gás do bujão. E o óleo de cozinha que tem não vai dar pra amanhã.
Estando em casa, você vai ter que sair pra rua sim, e comprar as especiarias e suprimentos para garantir seu almoço.É uma questão básica de sobrevivência. E nisso você já perde todo o enredo do trabalho.
Ontem fiz compras na Sendas online, e como sempre alguns itens solicitados estavam em falta, então hoje tive que sair pra compra-los antes que a empregada chegasse. Só que a equação básica do desempregado (de que sua conta bancária segue em Movimento Retilíneo Uniforme-MRU para baixo), exige que sejam tomadas algumas medidas drásticas para adiar o inevitável esgotamento de reservas. Longe da panacéia dos mercados financeiros, a ajuda do FMI não vai chegar até o meu bolso, então só me resta seguir o protocolo das donas-de-casa brasileiras: pesquisar preços.
Fui ao mercado (literalmente, os mercadinhos das cercanias aqui de Icaraí) e constatei que a flutuação do câmbio encontra reflexos nas esponjinhas dupla face: um pacotinho com 3 pode ser encontrado por preços que vão de 1,29 a 2,35. Sim, são marcas diferentes, mas ora bolas, que importa a marca de uma esponja pra lavar louça????
Para os meus colegas que pretendem adotar a pesquisa de preços como forma de dieta orçamentária, segue um extrato do quesito Leite. A embalagem em caixinha de 1Litro, Parmalat, foi encontrada com os seguintes valores:
. Padaria Colonial (aqui na esquina) = 1,70
. Sendas = 1,55
. Supermercados Nando e açougue aqui da esquina = 1,49
. Mercadinho perto da minha sogra = 1,36
Uma lição para os novatos: organizem-se antes de sair ao mercado. Caso contrário, farão que nem eu...anotei tudo de forma tão desorganizada, não tracei uma rota nem avaliei corretamente as alternativas. Empolgado pelo baixíssimo preço da esponjinha dupla face, do pinho sol e do biscoito maizena, achei que o açougue aqui da esquina era o campeão do preço baixo. Resultado: não comprei o leite mais barato, que seria o do mercadinho perto da minha sogra.
Mas mês que vem eles que me aguardem.
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