Bruno Pinheiro

O Pio da Coruja

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Figuras e Histórias do III Festival Nacional de Choro: Seu Eurides

September 6, 2007 12:15 pm

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Brasil, Music

(…) Em eventos com essa característica, sempre surgem grandes histórias e inesquecíveis personagens.

Personagens como Eurides Penha, saxofonista amador de Rio Verde, Goiás, que se mostra disposto a comparecer a todas as próximas edições do Festival. “Seu” Eurides, 66 anos, é agricultor, mas sua grande paixão é a música instrumental brasileira. Tanto que, inconformado com o baixo nível da programação das rádios de sua região, resolveu abrir sua própria emissora, para compartilhar com os 130 mil habitantes de sua cidade um pouco da sua discoteca de cerca de dois mil CDs.

Primeiro tentou conseguir uma licença pelas vias oficiais. Mas desanimou, derrotado pela burocracia. Falou então com um amigo engenheiro e, motivado pelo grande número de rádios piratas em atividade na região, comprou um transmissor de baixa potência e montou uma emissora clandestina em seu próprio escritório. “Todas as rádios só tocavam moda de viola. Eu pensei, isso não está certo. Então fiz um repertório só de música instrumental brasileira. Comecei com meia hora por dia. Não tinha apresentação, não tinha nome, eu não falava nada. Só música. Seis meses depois, ninguém ouvia nenhuma outra rádio”, explica ele.

A rádio sem nome nem apresentador de Eurides ficou cerca de um ano no ar. Foi um sucesso – que ele credita à simples oportunidade dada às pessoas de ouvirem música de qualidade. Até que um dia… “Um dia reparei que todas as outras rádios piratas – todas evangélicas – estavam fora do ar. Achei estranho, mas não liguei. Depois é que me dei conta que a Polícia Federal tinha sido acionada, mas todas as outras rádios evangélicas tinham saído naquele dia, e me deixado pra boi de piranha.”

Quatorze policiais federais armados com metralhadoras fecharam a rua e entraram na casa de Eurides para prendê-lo por causa de sua rádio pirata. “Podem me prender. Vocês são pagos para ser brasileiros, mas eu pago para ser patriota”, foi a sua reação, estendendo os braços à espera das algemas. Dentro da casa, sua filha chorava, enquanto Eurides tentava explicar a ela: um cidadão que só toca música brasileira tem que ir preso, não pode ficar solto. É um crime.

No fim das contas o saxofonista de Rio Verde foi à delegacia prestar depoimento (no qual fez constar que sim, tinha uma rádio ilegal, mas que nunca havia tocado nada além de música brasileira, nunca havia feito propaganda e nem mesmo dito o próprio nome) e teve o equipamento apreendido. Não foi o suficiente para fazê-lo desistir. A última de seu Eurides é uma rádio móvel, que funciona dentro de seu carro, com um pequeno transmissor e as músicas em MP3. “No ano que vem, onde quer que seja o próximo Festival de Choro, vocês vão ter oportunidade de ouvir a rádio ambulante.”

(…)

Vejam a íntergra do texto “Figuras e Histórias do III Festival“, de Nana Vaz de Castro, no site da Escola Portátil de Música.

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