Reflexões sobre o referendo
October 18, 2005 3:43 am
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Conforme velha fórmula dos autores famosos, vamos abrir o post com um fato curioso para ganhar a simpatia dos leitores.
Estava eu, em pleno sábado, na XX Olimpíada do Curso Marly Cury (escola do meu filho), assistindo a abertura, as crianças cantando músicas e fazendo coreografias que deixam os pais com lágrimas nos olhos. Das arquibancadas, eu acenava com a bandeira verde, do time do meu filho. Em um momento de intervalo de uma apresentação de ginástica rítmica, vira-se pra mim um pai que estava ao meu lado e pergunta num rompante, em tom quase ameaçador:
- Já decidiram em que vão votar no referendo?
- Hein? Ah, hum…não, ainda estamos indecisos…VERDEEEEE!!! VEEEEEERDEEEE!!!
E tratei logo de virar pro lado e acenar bandeirinha, pra me livrar daquela armadilha. O cara realmente achava que eu ia cair nessa, de expressar minha opinião ali, pra ele ficar me alugando caso minha escolha fosse diferente da dele? Sai pra lá Exu!!
Em primeiro lugar, o voto é secreto, um direito meu de não informar a ninguém o que escolhi. Em segundo lugar, porra, no meio da primeira olimpíada do meu filho o cara vem com um papo brabo desses? Vai se catar!!
Discutir referendo parece como discutir futebol. Os ânimos se exaltam, grita-se muito, amigos ficam de mal, e no final ninguém muda de opinião. E ninguém entende nada de futebol, quanto mais de segurança pública.
É obvio que essa campanha do referendo está sendo conduzida da pior maneira possível. Campanha de massa, textos lugar-comum, emocionais e vazios de conteúdo. Imagens baratas, associações rasas, um lixo. E, quem não corre atrás da informação, fica na ignorância, só com a sensação de que tem alguma coisa errada nessa história toda.
Como gosto sempre de ir na fonte, procurei o texto do Estatuto do Desarmamento (Lei nº. 10.826/03). Aconselho a leitura antes de ir às urnas no domingo. Tem coisas esclarecedoras. Apesar deste espaço ser meu e o resto que se dane, vou me abster de maiores comentários, pra não parecer que estou fazendo campanha. Já tem muita gente dando pitaco e pouquíssima dando informação isenta. Vai aí minha contribuição.
O que me deixa mais puto é ver a galera que mensalmente compra sua maconha dos amigos traficantes reclamarem do estatuto, falando que agora os bandidos vão entrar em suas casas sabendo que eles não tem armas. Porra, é só virar pro cara e falar Brother, sou eu, não tá reconhecendo? Compro lá na tua birosca todo mês! Não adianta, a juventude dourada do Rio de Janeiro não enxerga além do alcance de suas carteiras.