Um cafezinho no botequim
August 19, 2004 10:39 am
categories:
Uncategorized
Conversando com uma amiga percebi a importância que alguns costumes tipicamente cariocas têm na cultura nacional. O cafezinho no boteco, que tem entre seus adeptos representantes das mais distintas classes sociais, foi responsável por um dos momentos decisivos da música de nosso país.
Foi justamente por conta de um cafezinho que Cartola, o “príncipe do samba urbano carioca“, foi redescoberto por Sérgio Porto.
“Na década de 40, aos 38 anos de idade, contraiu meningite e ficou impossibilitado de continuar a trabalhar por um longo tempo. Deolinda (sua mulher) havia morrido e ele deixa o Morro da Mangueira, afastando-se do mundo do samba, por cerca de dez anos. Consegue trabalhos modestos, como o de lavador de carros e vigia de edifícios. Era esse o seu ofício, em meados dos anos 50, num edifício em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro. Numa noite de 1956, em que resolveu beber um café num botequim próximo ao edifício onde trabalhava, encontrou o escritor Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) que imediatamente o reconheceu. Ao ver o compositor naquele macacão, molhado, o escritor decidiu ajudá-lo.
Cartola então era dado como desaparecido ou mesmo morto, por muitos de seus conhecidos e admiradores. O reencontro com Sérgio Porto foi definitivo para a retomada de sua carreira como músico e compositor.”
Vale ler a biografia no Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira.
Eu não tinha nada do Cartola e conhecia muito pouco sua obra. Só ouvia falar que ele era genial, e conhecia algumas músicas realmente lindas. Resolvi comprar os dois primeiros CDs dele e conferir. Estou profundamente emocionado, pelas músicas e por sua história de vida, tão brasileira, com toda a conotação que este adjetivo possa ter.
Morre a baleia encalhada em praia de Niterói
August 10, 2004 10:34 am
categories:
Uncategorized
Moral da história: as gordas devem levar seu regime a sério…ou correm risco de morrer na praia também!
Ama teu vizinho como a ti mesmo
6:42 am
categories:
Uncategorized
Uma nova pitfamília atacou, anteontem à noite, no Rio. Pai, mãe e dois filhos, um deles menor, agrediram juntos um casal dentro do prédio de classe média-alta onde vivem, na Rua Timóteo da Costa 297, no Alto Leblon. A agressão se deveu à reclamação dos vizinhos pela demora do elevador. Este novo ataque em família ocorreu menos de um mês depois de o médico Luiz Claudio Azevedo, a mulher e a filha espancarem um guarda municipal que os multara em Niterói.
Quando os vizinhos tornam-se ameaça a segurança das famílias, o que mais pode ser feito? A decadência da sociedade é representada pela ascensão da violência, o culto irracional à forma, a lei do Gerson, Sergios Nayas livres, Helios Delmiros presos…as perspectivas sinistras que desenhamos para o futuro dos nossos filhos é assustadora.
Agora é preciso conferir no olho mágico se o corredor está vazio antes de sair de casa.
68:destinos
August 5, 2004 12:36 pm
categories:
Uncategorized
Cinelândia, centro da cidade do Rio de Janeiro. 26 de junho de 1968. Passeata dos Cem Mil, em plena ditadura.
O instantâneo de Evandro Teixeira registra um dos momentos mais críticos daquela época, “um caso raro de fotografia de multidão em que é possível reconhecer com clareza praticamente todos os rostos das pessoas reunidas ali”.
“O projeto 68:Destinos contará a trajetória de vida de 68 pessoas captadas pela lente do fotógrafo na passeata. Ao pinçar daquela imagem 68 rostos e resgatar a história de cada um destas pessoas, a história do Brasil nas últimas quatro décadas também estará sendo contada.”
O projeto é muito, muito legal. No site as pessoas poderão se identificar e enviar email para os organizadores, que entrarão em contato para resgatar a história dessas pessoas.
Agora, dizer que “a história do Brasil estará sendo contada” é um pouco promoção demais…A passeata foi no Rio de Janeiro, metrópole que apesar de ser de grande importância no cenário nacional não pode se dizer representativa do país como um todo, talvez das novelas da Globo. Além disso, acredito que na passeata estava apenas um extrato da classe média e muito provavelmente boa parte do movimento estudantil.
Agora, por que é que os militares, ainda hoje, tem a cara de pau de chamar o golpe de revolução?

Um casal na época e atualmente.
Jabá com girimum
10:12 am
categories:
Uncategorized
“Não fosse o flagelo do jabá, a vasta riqueza, diversidade e qualidade pela qual a música brasileira conquistou reconhecimento internacional se imporia naturalmente aos meios de comunicação nacionais. A quantidade de CDs vendidos aumentaria, ainda que o número de peças por título, dos campeões de vendas, reduzisse. A diversidade de opções desestimularia a pirataria, que só viceja em ambiente de demanda altamente concentrada. Nosso sobrecarregado aparato policial poderia concentrar-se em prioridades de mais elevado coturno. A poderosa Warner Music Brasil (R$ 170 milhões de faturamento anual) não precisaria continuar submetida à vexatória situação de ter um cast composto por apenas 14 artistas ? entre bons, regulares, ruins e péssimos. A BMG poderia substituir astros do naipe de Louro José e Swing & Simpatia por algo mais consistente. O nosso preclaro amigo Dudu Nobre não teria que passar pelo constrangimento de dividir seu disco com os bambas Gabriel O Pensador, Arnaldo Antunes, MV Bill, nem reivindicar influências do Cazuza, no programa da Gabi.”
Interesante artigo sobre a vergonha nacional do jabá, que nos restringe a ouvir músicas iguais e medíocres dos mesmos compositores, apadrinhados das grandes gravadoras, enquanto os artistas nacionais tem que se virar pelas gravadoras independentes, chegando a descabimentos financeiros como o que sofreu o grande músico Helio Delmiro recentemente.